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Sinopse da palestra: Doutor, eu tenho mau hálito. E agora?

Publicado em : 22/08/2017

Autor : Dr. João Paulo N.S. Pinto

Durante o 23º CIORJ, no IV Encontro Brasileiro de Halitose, o Dr. João Paulo N. e S. Pinto proferiu a palestra: “Doutor, eu tenho mau hálito. E agora?”, que trouxe informações gerais sobre o tema, além de discutir a abordagem clínica aos pacientes com queixa de halitose.  Confira abaixo a sinopse que preparamos para compartilhar o conteúdo da palestra:

O Dr. João Paulo N. e S. Pinto, especialista em Periodontia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e mestre em Clínica Odontológica pela mesma universidade, é o atual diretor financeiro da ABHA para a gestão 2017-2019. Ele começou sua exposição com a resposta que ele dá aos seus pacientes, de que mesmo que eles estejam com mau hálito eles não o terão para sempre. Mau hálito tem solução, não é algo imutável. A partir de um correto e amplo diagnóstico, poderá ser elaborado um plano de tratamento que normalizará o hálito do indivíduo e resgatará sua confiança.

Um dos primeiros passos para esse diagnóstico é justamente a avaliação do hálito, algo que segundo o palestrante ainda é pouco realizado pelos profissionais, mesmo quando os pacientes os procuram com essa queixa específica. Não há razão para que isto aconteça, uma vez que o chamado teste organoléptico, que consiste na avaliação pelo profissional do ar expirado pelo paciente, é um método barato, rápido e seguro. Ainda hoje, mesmo com a disponibilidade de recursos tecnológicos avançados de medição, como o Halimeter e o OralChroma, ele continua sendo considerado o padrão-ouro para diagnóstico de halitose na clínica odontológica, segundo consenso publicado no Journal of Breath Research pelas maiores referências mundiais da área. Isso se deve ao fato de que o nariz humano permite avaliar todos os diferentes compostos responsáveis pelo mau odor bucal e não apenas os derivados de enxofre (CSV´s). Esse teste deve ser realizado para o ar expirado pela boca e pelo nariz, permitindo diagnóstico diferencial entre halitose intra-oral e extra-oral.

Em seguida, foram discutidos os resultados do estudo publicado em 2009 no Journal of Clinical Periodontology por Quirynen e colaboradores, onde a análise de 2000 pacientes que procuraram uma clínica multiprofissional de tratamento do hálito na cidade de Leuven, na Bélgica, mostrou que em 90% das situações onde o problema estava presente, as causas estavam na cavidade bucal, sendo que em 80% dessas situações o biofilme lingual estava presente e contribuindo para esta condição. Outro importante achado do estudo foi o grande percentual de indivíduos portadores de halitose subjetiva, 16%, situação na qual a pessoa tem a crença de que seu hálito é ruim, mas objetivamente isto não é confirmado pelos examinadores e aparelhos de medição. Em outros estudos esse índice chega a até 30%.

Este fato, lembrou o especialista, realça um grande paradoxo que envolve o mau hálito: enquanto algumas pessoas frequentemente o apresentam, mas não percebem (devido ao fenômeno denominado de fadiga olfatória); outras têm certeza que o têm, mas de fato não o apresentam. A análise desta situação ampliou o conceito de halitose, hoje conceituada como “a percepção de uma alteração no cheiro do ar expirado, que pode manifestar-se como um sinal, percebido pelo examinador, ou como um sintoma (halitose subjetiva), percebido unicamente pelo paciente”. Em ambas as situações os indivíduos necessitam tratamento, seja para o restabelecimento de um hálito natural, seja para a recuperação da segurança e auto-estima, uma vez que consequências psicológicas importantes podem estar associadas. Estudo realizado em pacientes adultos chineses, publicado em 2016 no International Journal of Dental Hygiene por Lu e cols, comprovou repercussões claras e significativas na qualidade de vida das pessoas portadoras de halitose. O Cirurgião-Dentista dispõe de uma série de ferramentas para poder diagnosticar essas consequências, podendo estabelecer estratégias terapêuticas e acompanhar a melhora do quadro ao longo do tempo.

Em seguida foi destacado o estudo publicado no Journal Clinical Oral Investigations em julho de 2017 por Silva e colaboradores, onde após uma revisão sistemática dos estudos de boa qualidade existentes e posterior metanálise (técnica estatística), foi possível estimar que a prevalência de halitose na população mundial é de 32%. Mesmo com essa alta prevalência, o problema, segundo o palestrante, ainda recebe pouca atenção das profissões da área da saúde, que não contam com essa disciplina específica em suas grades curriculares. Mesmo os Cirurgiões-Dentistas, profissionais mais indicados para condução do tratamento, precisam recorrer a cursos de formação específicos, como os reconhecidos pela ABHA, para aprofundar os seus conhecimentos e qualificarem-se efetivamente para atender esses pacientes.

A halitose bucal foi abordada na sequência, sendo destacado que a estratégia para o seu tratamento está apoiada: 1) na eliminação/controle dos nichos bacterianos através de procedimentos no consultório; 2) na instituição de medidas caseiras eficientes para controle dos biofilmes bucais; 3) na elaboração de um plano de tratamento individualizado conforme as condições comportamentais, sistêmicas e bucais do paciente, objetivando alterar os fatores indiretos que possam contribuir para a ocorrência do mau hálito. Nesse contexto, a avaliação do padrão salivar do paciente, através de sialometrias, é importantíssimo, instituindo-se terapias de estimulação salivar quando necessário. Estudo publicado por Kleinberg e colaboradores em 2002, no International Dental Journal, avaliou as alterações provocadas no hálito pela redução drástica do fluxo salivar, induzida pela injeção do fármaco Robinul. Os participantes da pesquisa quadruplicaram os valores de CSV’s medidos pelo halimeter, comprovando o papel fundamental da saliva na manutenção de um hálito saudável.

Após exemplificar os tipos de halitose extra-bucal (transportada pelo sangue e não-transportada pelo sangue) e suas causas mais importantes, o Mestre João Paulo N. e S. Pinto finalizou a exposição afirmando que restaurar a confiança dos pacientes é o objetivo final do tratamento odontológico, da Implantodontia à Halitologia. O profissional não deve considerar o tratamento como encerrado até o alcance dessa meta.
 



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