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Halitose por Biofilme Lingual: Como resolver?

Publicado em : 01/08/2017

Autor : Dr. Fernando Carvalho

Já é de conhecimento da sociedade que a halitose cria barreiras e atrapalha relacionamentos, sejam eles amorosos, sociais ou até mesmo profissionais pois embora silencioso e invisível, o mau hálito tem potencial devastador na saúde do portador.

A halitose é frequentemente um problema de desequilíbrio da cavidade bucal, seja ela por excesso de biofilmes, alterações salivares, alterações de paladar ou inflamações e infecções, o que compreende 80 a 90% dos casos.

O problema mais frequente que está associado a halitose de origem bucal é a formação em excesso e falta de controle do biofilme lingual que causa um aumento da decomposição bacteriana de material orgânico na cavidade bucal que aumenta a concentração dos compostos sulfurados voláteis¹ (CSV).

A língua apresenta uma morfologia muito propensa para a adesão bacteriana e é anatomicamente muito áspera, todas as papilas linguais apresentam fendas e depressões com tamanho suficiente para a formação de um complexo biofilme lingual², popularmente chamado de saburra lingual. As superfícies das papilas foram definidas por Donaldson et al.³ como um nicho ecológico que atua como um reservatório de detritos e microrganismos (principalmente aqueles que produzem CSV), e por Keceli et al.4 como a maior superfície da boca e a mais colonizada.

Biofilmes são considerados uma massa densa de microrganismos embebidos em uma matriz inter microbiana complexa, metabolicamente conectada e altamente organizada5 . O biofilme lingual consiste em: células descamadas, na grande maioria do tipo epitelial, mas também são encontradas células do tecido conjuntivo e muscular; células sanguíneas como imunoglobulinas, leucócitos, neutrófilos e hemácias; saliva e seus componentes como a água, a mucina e a amilase; detritos alimentares e microrganismos4 . Cada célula do dorso da língua pode apresentar até 100 bactérias aderidas, enquanto as células de outros tecidos bucais apresentam no máximo 25. Por conta dessa alta contaminação o biofilme lingual se torna a principal e mais frequente causa da halitose 6,7.

O processo de formação do biofilme lingual é um fenômeno normal e natural e não ocorre apenas em pacientes que estejam sofrendo com gengivite ou periodontite, como também em indivíduos com saúde bucal8 . É um processo que não é afetado pelo gênero, mas é causado e aumentado através de inabilidade ou falta de corretas instruções de higiene oral, alterações salivares, sejam elas pela falta de saliva ou pela qualidade dessa saliva, alimentos pastosos, ou até mesmo uma dieta desequilibrada onde não existam alimentos rígidos e fibrosos, alimentos excessivamente quentes que causam ressecamento e descamação bucal, próteses mal adaptadas ou traumas por aparelhos ortodônticos e também por hábitos inadequados como roer unhas ou lápis por exemplo.

O biofilme é classificado principalmente de forma visual, de acordo com a densidade e a posição que está, quanto mais visível e quanto maior a área que envolve, recebe uma classificação mais severa o que aumenta a necessidade de atenção e manejo para que não traga consequências negativas para a saúde bucal do paciente, como o mais frequente a halitose.

Para o controle do biofilme lingual temos diversas técnicas a disposição, desde a limpeza mecânica, controle químico, terapia fotodinâmica e uso de probióticos entre outras formas de reduzir e controlar o biofilme.

A técnica mais antiga, largamente testada e cientificamente comprovada, é o controle mecânico do biofilme lingual. Existem referências que é uma técnica prescrita na Medicina Tradicional Indiana desde 3.000a.C., passando através da história pelo Império Romano entre 30a.C. e 290d.C e depois é citada na Europa entre o século 18 e 199,10 . A remoção mecânica pode ser realizada através de diversos instrumentos, como por exemplo as escovas de dentes, gaze e raspadores específicos de língua.

Tanto a escovação como a raspagem da língua são meios de remoção que reduzem de 20 a 70% dos CSV11 . Pesquisas comparando a remoção do biofilme lingual realizada com a escova dental e com o limpador de língua mostraram que, enquanto a escova dental remove 0,6 g de biofilme lingual, o limpador de língua remove 1,3 g, além de não causar nenhum desconforto durante essa remoção 12.

Alguns testes de conforto e aceitação de instrumentos para limpar a língua mostram que os raspadores de língua apresentam características melhoradas tanto no conforto e aceitação como também na capacidade da correta remoção do biofilme. Ao longo da história foram desenvolvidos com madeira, marfim, cobre, aço, prata, conchas e casco de tartaruga, e atualmente são feitos de plástico ou metal com diversos formatos e tamanhos9,10.

Na hora de prescrever um raspador é importante que nós dentistas tenhamos habilidade com o raspador indicado, para instruir corretamente o uso evitando desconforto ou ânsia e que o paciente consiga remover de forma eficiente a sujeira aderida. Os efeitos da limpeza da língua são transitórios e a limpeza regular é necessária para proporcionar uma redução duradoura dos níveis de CSV 13,14,15.

Quando existe a associação da limpeza da língua e a escovação dos dentes, ocorre uma redução dramática na quantidade de bactérias na cavidade oral. A limpeza da língua (por escovação ou por raspagem) reduz a halitose e os níveis de CSV.

A técnica de higiene da língua deve ser implementada na rotina de higiene bucal dos nossos pacientes, uma vez que se torna simples após prática, não envolve grande investimento financeiro e aumenta muito a qualidade de vida. Tanto reduzindo possíveis gases mau cheirosos como também melhorando a percepção do paladar.

Procure sempre um especialista e sorria sempre mais.

 

Fernando Carvalho

 

1- Rosenberg, M. Clinical assessment of bad breath: current concepts. Journal of the American Dental Association. 1996;127, 475-482.
2- Hitz, L.I. Diagnostics of tongue coating using autofluorescence. Swiss Dental Journal. 2015;125(10):1074.
3- Donaldson, A. C. Microbiological culture analysis of the tongue anaerobic microflora in subjects with and without halitosis. Oral Diseases. 2005;1, 61–63.
4- Keceli, T. I. The relationship between tongue brushing and halitosis in children: a randomized controlled trial. Oral Diseases. 2015;21(1):66-73.
5- Bernardi, S. Dorsal Lingual Surface and Halitosis: a Morphological Point of View. Acta Stomatol Croat. 2016;50(1):151-157.
6- Van der Sleen MI, Slot DE, Van Trijffel E, Winkel EG, Van der Weijden GA. Effectiveness of mechanical tongue cleaning on breath odour and tongue coating:
a systematic review. Int J Dent Hyg 2010;8: 258–268.
7- Quirynen, M. Tongue coating: related factors. J Clin Periodontol. 2013;40(2):180-5.
8- Mantilla, G. S. Tongue coating and salivary bacterial counts in healthy/gingivitis subjects and periodontitis patients. Journal of Clinical Periodontology. 2001:28, 970-978.
9- Rupesh S, Winnier JJ, Nayak UA, Rao A, Reddy V, Peter J. The comparative evaluation of the effects of tongue cleaning on salivary levels of mutans streptococci in children. Int J Dent Hyg. 2012;10(2):107-12.
10- Beekmans D.G. User perception on various designs of tongue scrapers: an observational survey. Int J Dent Hyg. 2016 Feb 10. doi: 10.1111/idh.12204.
11- Haas AN, Silveira EM, Ro¨sing CK. Effect of tongue cleansing on morning oral malodour in periodontally healthy individuals. Oral Health Prev Dent 2007; 5: 89–94.
12- Mariano RC, Vicentin C, Kolbe AC, Mariano LC. Avaliação quantitativa da capacidade de remoção dos resíduos do dorso da língua através do uso de dois limpadores. Contribuição para a redução da halitose. J Assess Odontol. 1999;3(16):13-21.
13- Yaegaki K, Sanada K: Biochemical and clinical factors infiuencing oral malodor in periodontal patients. J Periodontol 1992, 63(9):783–789.
14- Winkel, E. G., Roldan, S., Van Winkelhoff, A. J., Herrera, D. & Sanz, M. (2003) Clinical effects of a new mouthrinse containing chlorhexidine, cetylpyridinium chloride and zinc-lactate on oral halitosis. A dual-center, double-blind placebo-controlled study. Journal of Clinical Periodontology. 2003;30, 300-306.
15- Bordas, A.,McNab, R., Staples,A.M., Bowman, J., Kanapka, J.,& Bosma,M.P. Impact of different tongue cleaning methods on the bacterial load of the tongue dorsum. Archives Oral of Biology. 2008;53,S13YS18.



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