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Asma e halitose: qual a ligação entre esses dois problemas?

Publicado em : 12/12/2016

Autor : Beatriz Alhanati

Fonte : Saúde Terra -

Doença estreita as vias nasais, força a respiração bucal e facilita o aparecimento da saburra lingual

A asma é uma doença inflamatória crônica que ataca os brônquios e dificulta a respiração por causa da hipersecreção da mucosa nasal. Ainda muito comum, ela afeta cerca de 10% da população. Mas o que a asma tem a ver com o mau hálito? Muito mais do que você imagina!

A inflamação dos brônquios faz com que as vias nasais se inchem e acabem estreitando a passagem do ar. É exatamente por isso que um dos principais sintomas dessa doença é a sensação de falta de ar. Com dificuldades de respirar pelo nariz, é comum que a boca se torne uma alternativa.

“Só que esse tipo de respiração leva ao ressecamento da mucosa oral e à mudança da microbiota. Consequentemente, ocorre um aumento da descamação de células da boca possibilitando a formação de saburra lingual (uma das principais causas do mau hálito), de cáseos na amígdala (“bolinha amarelada”), além de ser considerado um fator de risco para o desenvolvimento da gengivite e da cárie”, diz Beatriz Alhanati, cirurgiã-dentista e membro da Associação Brasileira de Halitose (ABHA).

Estresse e baixa glicemia 
Mas não é só esse o motivo que liga a asma à halitose. Quem sofre com crises de asma costuma ficar bastante nervoso e agitado, fatores que contribuem com a diminuição do fluxo salivar e com o ressecamento citado acima.

“Indivíduos tensos, ansiosos e estressados apresentam diminuição da salivação com alteração dos mecanismos de limpeza da boca favorecendo o aumento de bactérias mais agressivas no local. Estas são responsáveis pela formação dos compostos de enxofre, provocando um odor forte”, diz a especialista.

Segundo Beatriz, o cheiro desse tipo de mau hálito pode ser muito desagradável podendo ser comparado com o de queijo estragado, enxofre ou algo podre, variando a intensidade do odor com as causas presentes. Por isso, se você tem asma, taí um ótimo motivo para redobrar os cuidados com a higiene bucal e ter um acompanhamento da doença.

Nestes estados de tensão, os indivíduos entram também em baixa glicemia. “O organismo começa a obter energia de proteínas e lipídios ao invés de utilizar carboidratos. A partir daí, todo metabolismo do organismo pode ficar afetado, alterando não só o hálito, mas o odor exalado do corpo através da sudorese e o cheiro da urina também”, diz Beatriz.

Além de tudo isso que foi falado, tem ainda o fato de que o muco que se acumula no nariz é rico em proteína e, em excesso durante as crises de asma, vira um prato farto e delicioso para as bactérias da região, incentivando a aparição do mau hálito.

Remédios perigosos 
Como forma de controle da doença, os remédios utilizados são os profiláticos e anti-inflamatórios. Embora muito eficientes para o caso, eles costumam trazer alguns efeitos adversos.

“Os corticosteroides inalatórios, principal medicamento no tratamento da asma, podem levar à secura da mucosa oral e à manifestação de fungos conhecida como candidíase oral”, diz Beatriz.

Por isso, se a pessoa não tiver cuidados especiais com sua higiene oral, alimentação, e rotina diária de limpeza doméstica será presa fácil da halitose.

“Para tentar minimizar as chances do mau hálito, o asmático deve fazer uma higiene diferenciada sem esquecer a língua. Também deve evitar produtos que ressequem ainda mais a boca como alguns enxaguatórios e cremes dentais que aumentarão as células descamadas e consequentemente a formação de saburra e dos cáseos”, diz Beatriz.

O asmático também deve diminuir a ingestão de proteína animal, pois elas aumentam ainda mais a produção de muco pelo organismo.

“Em especial, as margarinas assim como os alimentos processados (embutidos, enlatados, etc) não devem fazer parte da alimentação por conter alto teor de gordura ômega 6, que contribui para o processo inflamatório, dificultando ainda mais a respiração. Ovo, marisco, bebida alcoólica, bebida com corantes, entre outros, assim como a aspirina são reconhecidas também como provocadores de ataques de asma”, diz a especialista.

Ajuda dupla 
Dependendo do quadro de asma apresentada pelo paciente, o ideal é que ele seja acompanhado não só pelo médico, mas também por um profissional habilitado em halitose.

“Dessa forma, ele terá sua salivação e possível formação de compostos odoríferos monitorados, garantindo que a halitose não estará presente quando sua asma se manifestar”, diz Beatriz.


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